13/05/2021

 

                                                                                 






 

Alerta sobre a importância da vacinação contra Raiva em caninos, felinos e herbívoros tendo em vista a circulação do vírus da Raiva no Estado do Rio de Janeiro.

 

                                                          Academia de Medicina Veterinária no RJ

                                                                 Acadêmica Leda Maria Silva Kimura

                                                                       Médica Veterinária, MSc – DSc,

                                                               Virologista. -  Pesagro Rio

Devido ao seu desenlace geralmente fatal, a Raiva é considerada uma das zoonoses mais importantes, entre as mais de 200 conhecidas. No mundo, 60 mil pessoas morrem a cada ano da doença, principalmente na Ásia e na África, embora seja uma enfermidade para a qual a vacina já existe há mais de 130 anos. Entre as variantes antigênicas do vírus da Raiva identificadas no Brasil através de anticorpos monoclonais, destacam-se as variantes 1 e 2, isoladas dos cães e variante 3, isolada de morcego hematófago Desmodus rotundus.

No caso recente de diagnóstico positivo de Raiva em cão, no Município de Duque de Caxias, reportado pelo Instituto Municipal de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman, embora não se possa afirmar tratar-se de variante 3 (AGv3) , enquanto não for realizada a tipificação antigênica, há fortes indícios de que essa variante  seja a responsável pelo caso , tendo em vista  que o referido cão teve contato com morcego e  o laboratório da  Área de Virologia do  Centro de Estadual de Pesquisa em Sanidade Animal Geraldo Manhães Carneiro da PESAGRO- RIO  vem detectando a circulação da AGv3,  em todo o território do Estado , há  mais de 40 anos.         

 No período de 2010 a 2020, 77 municípios do Estado do Rio de Janeiro enviaram amostras de material de bovinos portadores de síndrome neurológica, para o Centro Estadual de Pesquisa em Sanidade Animal Geraldo Manhães Carneiro / PESAGRO RIO. Foram detectados focos em 57 Municípios dos 92 que constituem o Estado, sendo positivas 40% das amostras. Em 2021 até abril, 52% apresentaram resultados positivos.

 

Em que pese a variante 2, estar possivelmente controlada no Estado, devido ao sucesso da vacinação em massa de caninos e felinos através de campanhas de vacinação é importante frisar que a variante que circula atualmente no estado, AG v3, de morcego hematófago, pode contaminar todos os mamíferos incluindo o homem, como ocorreu em março de 2020 em Angra dos Reis, RJ, onde foi registrado o óbito de um adolescente agredido  por morcego.

No caso de caninos e felinos, o papel do Médico Veterinário é fundamental e importantíssimo   no controle da raiva e na orientação aos proprietários sobre a grande importância da continuidade da vacinação. Existe a detecção da circulação da AGv3 em áreas urbanas, apresentando risco e a possibilidade de que essas espécies sejam infectadas por esta variante. Ressalta-se que a vacina existente no mercado protege contra  as variantes referidas.

O alerta aos proprietários deve versar ainda sobre os riscos dos seus animais  serem expostos ao vírus   através de brincadeiras que contemplem  a  apreensão  de morcegos e ainda sobre a importância da continuidade da vacinação antirrábica tanto em animais de produção, quanto de companhia e da  adoção imediata de medidas profiláticas pós-mordedura de morcegos em humanos.

O esforço conjunto de Médicos Veterinários clínicos ou de órgãos oficiais de Pesquisa, de Agricultura, de Saúde e de Meio Ambiente, certamente é essencial para o diagnóstico e detecção de focos e conseqüente tomada de medidas de controle e profilaxia.

A Academia de Medicina Veterinária no Estado do Rio de Janeiro vem reiterar a importância desta doença na saúde pública por se tratar de zoonose, requerendo que ao diagnóstico no animal sejam determinantes as medidas profiláticas imediatas em favor de impedir a sua extensão para seres humanos.